O corpo humano abriga uma verdadeira coleção de microrganismos: é o chamado microbioma humano. Muitos são bactérias e fungos, mas eles não são os únicos. Há outros seres presentes em número ainda maior e tamanho ainda menor: os vírus.

O organismo humano tem cerca de 37 trilhões de células que, acredita-se, convivem com aproximadamente o mesmo número de bactérias. Além disso, há provavelmente 10 vezes mais partículas de vírus somadas a elas. Nosso “viroma” tem agentes emaranhados até mesmo em nosso código genético.

publicidade

Um estudo da Universidade de Tóquio, no Japão, encontrou vírus no cérebro, no sangue, nos rins e no fígado. Muitos desses microrganismos participam de processos corporais essenciais. Talvez nem sobrevivêssemos se não fossem eles.

Por isso, o líder da pesquisa, Kei Sato, se propôs a fazer um atlas viral do tecido humano. Alguns desses agentes ainda não foram descobertos pela Ciência ou sua função não foi reconhecida. A estimativa é de que só 1% da diversidade viral existente já esteja mapeada.

Além disso, à exceção do intestino, é difícil coletar amostras em tecidos saudáveis. Então, há muito mais descobertas de microrganismos nocivos, os patógenos, do que benéficos. Os vírus que ainda estão por ser descobertos são chamados de “matéria escura viral”.

Como os vírus agem

Depois de entrar em nossas células, os vírus injetam seu código de DNA ou RNA e as transformam em copiadoras. A capa de proteína que eles têm é usada para transportá-los.

publicidade

Frederic Bushman, professor da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, explica que os vírus podem ser transmitidos de várias formas. É comum que eles sejam conhecidos apenas pelas doenças que causam. E isso é natural, já que muitos deles são prejudiciais e é preciso que o organismo desenvolva meios de conter seus ataques.

Sem esses ataques, entretanto, o sistema imunológico humano seria pobre e sua continuidade na Terra estaria ameaçada. O vírus da hepatite G, por exemplo, pode proteger humanos contra o HIV. Já em ratos, o vírus da herpes reduz doenças autoimunes.

As bactérias também já tiveram fama de más e, hoje, sabe-se que elas apoiam a saúde. Cada uma de nossas células faz parte de uma cadeia contínua de vida que se estende por mais de 3,8 bilhões de anos. E os vírus são parte importante dessa evolução.

Entender como o viroma humano funciona pode trazer ótimas consequências. No caso da Covid-19, por exemplo, o distanciamento social e a higiene das mãos têm ajudado a reduzir a transmissão viral.

São ações que podem transformar nosso viroma a ponto de promover saúde. Com a pandemia do novo coronavírus, as pesquisas se intensificaram nessa área. Então, é bom nos prepararmos para muitas novas descobertas.

Fonte: BBC Science Focus





Source link