A Pílula anticoncepcional é um dos métodos contraceptivos mais comum, porém ainda levanta muitas dúvidas a respeito da eficácia.

Então, para esclarecer algumas dessas dúvidas, nossa colunista Dra Luciana Radomile, médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia e que acredita que o caminho mais fácil para a saúde é a prevenção. Confira!

O que você precisa saber sobre Pílula anticoncepcional

A primeira pílula anticoncepcional foi lançada no mercado na década de 60,  um método de contracepção que usa hormônios para evitar a ovulação e assim impedir uma gravidez não programada. Além desse benefício, a pílula serve para diminuir cólicas ou o fluxo intenso durante o período menstrual. As primeiras pílulas continham dosagens de hormônios até dez vezes maiores que as atuais.

1. Como funciona a pílula anticoncepcional?

Todo mês o corpo feminino se prepara para uma possível gravidez, passando por mudanças que duram em média de 25 a 30 dias. Elas resultam da liberação de quatro hormônios pelos ovários e pela hipófise (glândula localizada no cérebro que comanda a ação de várias outras glândulas no organismo).

FSH: liberado pela hipófise no começo do ciclo menstrual, ele “avisa” os ovários que os folículos ovarianos (estruturas onde os óvulos se desenvolvem) podem começar a se desenvolver.

Estrógeno: assim que os folículos começam a se desenvolver, eles produzem esse hormônio, que prepara o corpo para uma possível gravidez. Começa a fase folicular do ciclo menstrual, que dura entre 12 e 16 dias, e acaba quando o estradiol chega em seu pico e estimula a hipófise a produzir o hormônio LH. Esse hormônio é reposto nas pílulas anticoncepcionais e pode ser reproduzido com o uso de etinilestradiol, um estrogênio sintético, ou valerato de estradiol, um hormônio natural.

LH: o aumento do LH leva à ovulação de 24 a 36 horas após seu pico, ou seja, marca o início da fase lútea do ciclo menstrual, quando há o aumento da produção de progesterona pelos ovários.

Progesterona: a progesterona leva ao espessamento do endométrio, que se prepara para abrigar um possível bebê. Quando não há fecundação, a progesterona começa a cair, o que leva à descamação do endométrio no final de 14 dias, a menstruação.

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Quando a mulher toma o anticoncepcional, ela passa a ter os hormônios do ovário vindos de uma fonte externa, o que bloqueia o eixo hormonal da hipófise, ou seja, a faz reduzir ou deixar de produzir o LH e FSH nos momentos necessários. Com isso, não ocorre a ovulação, já que ela precisa de um pico de LH para ocorrer. Além disso, esses novos hormônios levam a outras alterações no organismo, como:

  • Espessamento do muco cervical (impedindo a penetração dos espermatozoides na cavidade uterina);
  • Alteração do revestimento de dentro do útero, o endométrio, impedindo a implantação do feto;
  • Alteração do transporte de espermatozoides e óvulo dentro das trompas.

As pílulas bloqueiam a hipófise de maneira efetiva e protegem contra gravidez de maneira bastante eficaz porque impedem a ovulação.

2. Tipos de pílula anticoncepcional

As pílulas inicialmente são combinadas em duas categorias:

Pílulas de progestagênio ou minipílula: normalmente possuem apenas progesterona em sua composição, sem o estrógeno associado. Elas agem principalmente impedindo a entrada do espermatozoide no útero, mas nem sempre impedem a maturação do óvulo, que é a ação principal das pílulas combinadas. Tudo depende da quantidade de progesterona que contém.

Normalmente estas pílulas devem ser tomadas continuamente, sem pausa entre as cartelas e todos os 28 comprimidos possuem hormônios.

Pílulas combinadas: elas possuem a combinação de progestagênio com estrógenio e podem se dividir em duas formas:

  • Monofásica:aquelas em que todos os comprimidos possuem a mesma quantidade de hormônio. Os hormônios do comprimido bloqueiam a liberação do hormônio que estimula o crescimento e a ovulação do ovário
  • Multifásica:aquelas em que os comprimidos possuem diferentes quantidades de hormônios. Elas tentam imitar como seria a produção hormonal do organismo para aquele dia do ciclo.

3. Como escolher a melhor pílula

As diferentes pílulas são indicadas de forma particular para cada mulher. Por exemplo, as pílulas de progesterona são indicadas às mulheres que estão amamentando, pois elas não podem tomar estrógenos.

Mas diversos fatores devem ser levados em conta, como:

  • Desejo ou não de menstruar;
  • Presença ou ausência de acne;
  • Presença ou ausência de inchaço;
  • Quantidade e nível de cólicas;
  • Presença ou não de TPM;
  • Presença de problemas ginecológicos como síndrome do ovário policístico, mioma e etc;
  • Contra indicação para uso de estrôgenio.

A melhor maneira de escolher qual a pílula ideal é conversando com o seu ginecologista.

4. Quais as chances de engravidar usando pílula

As chances de engravidar com a pílula anticoncepcional não dependem apenas da pílula, mas também da adesão ao tratamento, quanto mais certinho você tomar, respeitando os horários e não esquecer, mais eficaz será.

Com o uso perfeito, pode-se considerar que as pílulas têm eficácias semelhantes a cerca de 99,8%.

Para garantir que está usando corretamente, certifique-se que:

  • Você toma sua pílula todos os dias no mesmo horário;
  • Mesmo quando esquece, consegue tomá-la em até 12 horas.

O uso contínuo, diário e no mesmo horário é essencial, afinal o organismo tem de receber a dose diária do hormônio de maneira correta para que sua eficácia seja mais garantida. São essas doses hormonais que irão prevenir a gravidez porque elas atuam inibindo a ovulação e, com isso, evitam a fecundação.

No primeiro mês de pílula, no entanto, usá-la sozinha pode não proteger tão bem de uma gravidez, pois o corpo começa a se acostumar com esse novo esquema hormonal, sendo importante associá-la a outros métodos anticoncepcionais.

Alguns outros fatores que podem reduzir a eficácia da pílula:

  • O uso de alguns antibióticos e outras medicações que atuam no metabolismo hepático;
  • Apresentar quadro de diarreia ou vômito após ter ingerido a pílula;
  • Trocá-la por outro método contraceptivo e não usar preservativo nas primeiras semanas.

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