O kernel Linux existe há muito tempo e, à medida que é atualizado para suportar novos hardwares e tecnologias, pode acumular código-fonte desnecessário. É por isso que alguns desenvolvedores estão discutindo a possibilidade de remover o suporte a determinados processadores antigos do kernel.

Chip Intel 80486SX (imagem: Henry Mühlpfordt/Wikipedia)

Em dezembro de 2020, Linus Torvalds anunciou o Linux 5.10 como software LTS (Long Term support), o que significa que essa versão irá receber suporte oficial por pelo menos cincos anos.

Na mesma época em que esse anúncio foi feito, Arnd Bergmann, outro conhecido desenvolvedor do projeto, percebeu que o kernel mantém códigos para chips que foram descontinuados ou que não parecem ter sido usados nos últimos cincos anos (ou mais) — eles não receberam nenhuma atualização durante esse período. Esses códigos dizem respeito principalmente a chips obsoletos baseados em arquitetura ARM.

Em função disso, Bergmann abriu um tópico na lista de discussão do Linux sobre a possibilidade de os códigos para esses chips — ou, pelo menos, parte deles — serem removidos do kernel. Entre os modelos afetados estariam:

  • ASM9260
  • AXXIA
  • BCM/Kona
  • DigiColor
  • Dove
  • EFM32
  • Nspire
  • PicoXcell
  • PRIMA2
  • Spear
  • Tango
  • U300
  • VT8500
  • ZX

Na mesma mensagem, Bergmann incluiu uma lista de chips que poderiam ter códigos removidos do kernel se os responsáveis por eles concordarem com isso:

  • CLPS711x
  • CNS3xxx
  • EP93xx
  • Footbridge
  • Gemini
  • HISI
  • Highbank
  • IOP32x
  • IXP4xx
  • LPC18xx
  • LPC32xx
  • MMP
  • Moxart
  • MV78xx0
  • Nomadik
  • OXNA
  • PXA
  • RPC
  • SA1100

Arnd Bergmann também listou alguns processadores antigos que não têm arquitetura ARM, mas que também estariam em completo desuso ou perto disso, entre eles, os chips Intel 80486SX e 80486DX.

A remoção de código relacionado a processadores obsoletos facilitaria o trabalho de manutenção do kernel e, presumivelmente, o deixaria menos “inchado”. Por outro lado, a ideia encontra alguma resistência, especialmente entre desenvolvedores e entusiastas que acham importante o Linux suportar uma ampla diversidade de hardware antigo.

Não surpreende que a discussão sobre o assunto esteja movimentada. Boa parte das respostas à mensagem defende a manutenção dos códigos, pelo menos no que diz respeito a determinados chips listados.

O entendimento geral parece ser o de que, se uma “limpeza” no kernel tiver que ser feita, que envolva uma lista muito bem apurada de chips em desuso para que nenhum grupo de usuários seja prejudicado.

De todo modo, nenhuma decisão foi tomada ainda. Por ora, o assunto continua sendo apenas uma discussão.

Com informações: The Register.



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